27 de jun. de 2009

Relato do parto

Um tanto atrasada, mas vou relatar como tudo aconteceu.
No domingo dia 14 estava disposta a dormir até ao meio dia, uma preguiiiiiiça...e depois sairia pra bater perna e comprar um abajur...humm doce ilusão!
As 10:30 fui acordada com o celular tocando, nem levantei atendi deitada mesmo, era meu marido querendo saber se estava tudo bem, neste exato momento senti um molhadinho diferente na calcinha, eram dois jatinhos, mas pensei deve ser normal, e nem comentei com ele pra nao preocupa-lo ecom a "minha certeza" de que era normal. Levantei me lavei, troquei de calcinha e voltei pra cama. Ao meio dia com sono bem levinho senti mais uma vez o molhadinho, ai sim achei estranho, e pensei " não pode ser, falta tanto tempo ainda", e fiquei com medo de levantar da cama e realmente ser a bolsa. Tomei coragem e levantei, quando coloquei os dois pés no chão a agua desceu, olhei e olhei pra ter a certeza, eu queria meu bebe nos braços, mas estava tão cedo ainda que eu não queria acreditar.
Liguei pro meu marido, mas ja era tarde, eu havia dito anteriormente que estava td bem e que ele poderia ir pra longe sem se preocupar, e não consegui falar com ele de jeito algum, liguei pra minha irmã e disse " acho que a bolsa estourou" ela em panico dizendo que eu tinha que correr pro hospital, eu estava tranquila, falei pra ela ter calma, imaginem eu a grávida acalmando ela e meu marido, sim consegui falar com ele depois de um tempo, e ele extremamente nervoso, pois só iria conseguir chegar no fim da tarde em casa.
Arrumei a cama, organizei os documentos, tomei um leve banho, dei comida pros peixes, coloquei as malas no carro e fui pra clinica dirigindo, que fica a 2 minutos de casa. E a agua descendo...
Me internei, avisei que meu marido iria chegar depois. Fizeram exame de toque e viram que realmente a bolsa estourou, o médico ( que nao era o meu) então disse que iria esperar até quarta feira para fazer o parto, me desesperei porque até quarta? se hoje é domingo!, ele explicou que não haveria problema, que se o bebe estiver bem e eu também pode-se ficar com a bolsa rota por dias...mas tudo isso porque domingo é dia de folga da clinica e nada funciona direito aos domingos aqui ( até o parto aos domingos sai mais caro!)
Me colocou pra tomar remedio para que eu nao sentisse dor e para nao ter contrações, confiei em Deus e entreguei meu filho em Suas mãos, eu nada podia fazer com meu super japonês ( nao falo nada! ).
Tantas burocracias...só poderia ser feita a cesarea com a autorização do meu marido, enfim ele chegou, conversou com as enfermeiras, explicou nossas duvidas e medos e disseram que se o bebe estivesse mexendo e eu nao sentisse dor, nao haveria com o que se preocupar. Mas caso eu comecasse a sentir ou o bebe parasse eles fariam uma cesarea de emergencia.
Conclusão, passei a noite toda monitorando minha barriga, pra ver os movimentos do bebe, uma preocupação sem fim, sem explicação.
Na segunda feira, para o nosso alivio, meu médico disse que faria a cesarea na terça, ainda teria mais um dia e uma noite pra esperar, mas era melhor terça do que quarta, fiquei feliz, muito feliz. Enquanto não chegava o dia e a hora do parto, fui muito bem tratada, tomei muito remedio na veia, monitoraram meu filho o tempo todo, me passaram segurança.
E chegou o dia, eu estava calma, tranquila, queria mesmo era que comecasse logo, pois ja não aguentava mais a agonia da preocupação com o bebe.
Fui pra sala de operação caminhando, dei um beijo no meu marido e entrei somente eu e Deus, eles não deixaram meu marido entrar, pedi taaaanto.
Entrei, tirei a camisola e fiquei totalmente nua, deitei na mesa, colocaram a sonda (que dói mto), os médicos se preparando ao meu lado, e eu rezando, rezando mto pra td dar certo.
O médico aplicou a anestesia, nã senti dor alguma na aplicação, me desinfetou toda enquanto a anestesia fazia efeito. E começou...e eu rezando, rezando, olhei no relógio pela ultima vez, eram 13:20 e pensei daqui a 10 minutos meu bebe estara aqui, nessa hora lembrei que a Dany (mãe de primeira viagem) comentou que após o corte 10 minutos depois o bebe dela ja estava chorando, e eu rezando e contando mentalmente os minutos, mas era uma eternidade, comecei a achar que estava demorando pra tirarem o bebe, rezava cada vez mais, em voz meia alta, e uma enfermeira segurando minha cabeça e perguntando se estava tudo bem o tempo todo, mas e o bebe? pensava...e enfim sa 13:40 eu escutei uma tossinha e depois um choro um super choro, agradeci a Deus e fiquei com os ouvidos atentos tentando saber o que estavam fazendo com meu filho, acompanhei a enfermeira que estava com ele com meus olhos ( não podia mexer a cabeça), via apenas o vulto dela com um bebe chorando, e depois de longos e interminaveis minutos trouxeram meu filho, ja estava mais calminho, cheirei muito, e chorei de emoção e agradecimento, e falei com ele como falava quando ele estava na minha barriga, eu queria que ele soubesse que eu estava ali com ele, e ficamos uns minutinhos assim...e levaram ele.
Eu na mesa sendo costurada, essa foi a pior parte, depois de ver meu bebe, e ter chorado um pouquinho, meu nariz entupiu, a mesa havia sido inclinada de forma que fiquei com a cabeça mais baixa que o corpo, não conseguia respirar de jeito algum, e tb não conseguia falar, um frio intenso, e consegui falar bem baixinho que não conseguia respirar, nesta hora eu pedia a Deus em pensamento pra não me deixar morrer, pois meu filho precisava de mim, sim eu achei...mas graças a Deus tudo terminou bem.
Depois da costura, fiquei um tempo na mesa esperando a maca, e o frio estava demais, tanto que ja não controlava mais meus braços ( fora a cabeça, era a unica parte que nao tinha anestesia rs), trouxeram cobertores e tentaram me aquecer...em vão. Me colocaram na maca e fui levada para o quarto, no caminho vi de rabo de olho meu marido pendurado no bercario com uma maquina na mão ( uma cena linda), minutos depois ele chegou no quarto, com um olhar de alivio e felicidade, nunca o vi com tanto medo de me perder, coitado não sabia o que estava acontecendo lah dentro, e ele chegou falando " a orelha dele é igualzinha a sua!", uma felicidade só. E trouxeram meu filho pra ficar com a gente no quarto um pouquinho, naquela hora minha familia estava formada, estava unida, junta e feliz. E eu só podia e posso agradecer a Deus por tudo, por ter um sonho realizado, por ter tido uma gravidez tranquila, por ter um parto sem complicações e por ter um filho cheio de saúde.
Aqui no Japão, a recuperação de um parto cesariana leva em torno de 8 dias no hospital, isso pra que a mãe possa voltar pra casa em condições de cuidar do filho, pois aqui normalmente não se tem mãe, avó ou marido que possa estar em casa cuidando da mãe e do recem nascido, pois todos trabalham e ninguém para para cuidar de ninguém ( cultura).
Eu fiquei 10 dias no total, 2 antes do parto e 8 após o parto, detalhe que por questões culturais a mulher que tem parto cesariano não pode tomar banho (rs) durante a recuperação, pois é, eu fiquei 9 dias sem tomar banho, só tomava banho de toalha, tudo isso tb pra que a cicatrização fosse rápida. Lembrando que eu tinha medo de passar fome, não passei fome, apesar de não ter comido nada, antes do parto teve o jejum pré parto, mas a vontade de ter o filho logo é tanta que vc esquece que não comeu, e após o parto durante 3 dias tomava só uma xicara de cha e uma de agua de arroz, mas tb não senti vontade de comer, a indisposição com o corte era tanta que nem dava vontade de comer, e quando fui liberada pra comer, fiquei com medo, medo de comer e de ter que ir ao banheiro, eu sabia que ia ser muito dolorido (rs), mas após o terceiro dia as refeições eram verdadeiros banquetes, e não pude resistir a tentação (rs), tanto que sai do hospital com 10 kg acima do meu paso normal, ou seja, não emagreci nada, o que perdi foi só o peso do bebe, da agua e da placenta que somando dão 7 kg, agora vem a batalha para perder 10! e segue a foto de umas das tentações, não resisti...rs
O bebe só fica com a mãe a partir do terceiro dia após o parto, até lah ele só me visitava, nem amamentar eu podia, ele só foi começar a mamar no peito no terceiro dia de vida, isso dificultou muito a "pegada", mas depois de muita insistencia minha ele pegou, e pegou bem. A partir do quarto dia após o parto, o bebe ficou comigo direto, noite e dia, para que eu pudesse aprender a cuidar dele, e assim aos poucos deixando de depender das enfermeiras, que por sinal monitoram, ensinam e aconselham o tempo todo no que for necessario.
No penultimo dia eu ja estava independente delas, ja cuidava dele sem ajuda alguma. E no ultimo dia eles ensinam a dar o banho, com todos os detalhes e toda a paciencia.
Sai de lah pronta, pronta pra minha nova vida!
Agora meu Gabriel esta aqui no carrinho ao meu lado, dormindo como um anjinho, ele realmente é um anjo, só acorda pra mamar, não chora, acorda de 3 em 3 horas, e a noite até de 4 em 4.
Hoje conheço um amor sem tamanho, sem explicações, sem comparações!

Meninas, tentei ser breve, até faltaram alguns detalhes, mas ainda assim ficou longo...desculpem!
Bjos

3 comentários:

  1. Ai amiga amei teu relato, e que coragem tua hein, sair com a bolsa estourada e ir dirigindo ao hospital sozinhaaaaaaaa JESUS !!! Instinto materno rsrsrsrs

    Parabéns pelo teu Gabriel ele é muito fofo.

    Um super beijo.

    FF.

    ResponderExcluir
  2. lindo o relato!!!!!!!!!!! Parabéns!!!!!!!!!!!!!!

    que Deus continue abençoando vcs!!!

    bjokas

    ResponderExcluir
  3. Nossa me emocionei com sua história...que Deus abençoe vc e seu filho.

    ResponderExcluir